segunda-feira, 18 de julho de 2016

Golpe militar

Os militares que tentaram o golpe na Turquia e as típicas classes média e alta brasileiras possuem a mesma visão, vitória em eleições não legitima o governante. Somente quando favoráveis aos seus interesses podem exercer o poder. Claro que existem algumas exceções aqui, mas nos últimos tempos claramente minoritárias.
Pouco se sabe sobre a conspiração. Apenas que foi um fracasso. O efeito imediato da intentona é o fortalecimento do presidente Erdogan. Aliás, por quem não tenho a menor simpatia. Jamais votaria em algum político com as mesmas características para a presidência, ainda mais sabendo que poderia ser o vitorioso. Para mim ele consegue reunir no mesmo indivíduo o que de pior existe nos deputados Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano: totalitarismo e fanatismo.
Sempre que um assunto desperta a minha atenção, concentro-me mais nos comentários dos leitores que no texto jornalístico. Neste caso também foi o que fiz. O resultado não me surpreendeu. A quase totalidade dos coxinhas ficou ao lado dos golpistas. Não importando que há menos de dois anos Erdogan tenha sido eleito com mais de 50% dos votos. Como são fascinados por uma farda. Uma verdadeira fascinação.
Neste caso não importa o atroz histórico do presidente turco e do seu partido. Até porque muitos dos seus excessos são comuns aos governos daquele país. Principalmente a repressão contra as minorias étnicas, especialmente a curda. A questão da laicidade também não esteve presente, a oposição laica em nenhum momento fez qualquer menção de apoiar os golpistas. Inclusive para o governo o inspirador foi um clérigo islâmico, Fethullah Güllen, atualmente em autoexílio nos EUA. Uma espécie de Olavo de Carvalho 3.0.

O natimorto golpe bruto contra o governo turco traz semelhanças com o quase vitorioso suave daqui, comandado por Michel Temer. Ao invés de caças, helicópteros, tanques e soldados temos a imprensa familiar, promotores e juízes. Sempre instituições e pessoas que representam apenas a si próprias. Em ambos os casos a tomada do poder por quem não possui méritos para conquistá-lo através dos votos do povo.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Existe algo pior


A corrupção aparente destruiu a governabilidade de Dilma Rousseff. Dois anos de escândalos constantes, envolvendo o PT e os partidos aliados, a afastaram da presidência da república. Em seu lugar temos no momento um antigo aliado. Figura que estaria melhor desempenhando o papel, num filme trash, de mordomo envenenador ou assistente de algum Dr. Frankenstein. Talvez dividindo a tela como Renfield para o Nosferatu da Moóca. Ao menos possui o physic du role para vilão. Ao contrário da búlgara, que para esse tipo de personagem não tem a aparência ou a personalidade. Um governo que perdeu a representatividade foi substituído por outro sem nenhuma legitimidade. No momento temos o vácuo e quem o está ocupando?

Na política institucional vemos o avanço dos plutocratas, agora sem nenhum pudor, e dos fundamentalistas religiosos. Economicamente preconizam, ou melhor, exigem em troca de apoio, medidas que vão ao encontro dos seus interesses. Desmantelamento do SUS em benefício das empresas privadas de seguro saúde. Asfixia da imprensa, antigamente chamada alternativa, com o cancelamento de contratos de publicidade com o poder público, e consequente realocação das verbas para as tradicionais famílias midiáticas. Supressão da legislação trabalhista e dos direitos ali garantidos. Ajustes e reformas que privilegiarão o setor financeiro especulativo em detrimento dos programas sociais. Uma Genebra calvinista, sem a preocupação com o social. Por aí vai e de mal a pior.

Por outro lado temos a participação política que muitas vezes aparenta ser individual, mas devido à repetição do discurso vemos que não. Pessoas que se rotulam como conservadoras ou liberais, algumas até como libertárias. Muitas agregam ainda o cristão como mais um adjetivo. Na sua quase totalidade pregam em si próprios o dístico: de direita! Um rótulo que significa apenas preconceitos de todos os tipos, incluindo em muitos casos o racismo velado, e um Estado mãe para si mesmos e verdugo para os outros. O velho discurso do mérito, das pessoas bem nascidas. Nas redes sociais e nos espaços de comentários dos sites jornalísticos esses são predominantes. Defesa constante da casta a qual pertencem.

Essa minoria que se faz ouvir, basicamente da classe média para cima, é chamada de povo pelos seus líderes. Algo como Higienópolis falando por São Paulo ou o Leblon pelo Rio. Ao mesmo tempo a maioria do povo não se faz ouvir. Pesquisas de institutos, contratados pela mídia, são um tênue reflexo do que pensam as pessoas que não se manifestam publicamente. O chavão da maioria silenciosa aplica-se a este caso. O que ela realmente deseja não sabemos. Sobre suas costas recairá o custo do ajuste exigido para a obtenção do apoio que efetivará o golpe. Principalmente a perda dos direitos sociais. No entanto ela permanece bovinamente estática. Até o momento. Porém existe algo ainda pior. Também para ela.

Os protestos contra a corrupção e a mobilização na internet feita por pessoas economicamente favorecidas, com instrução superior e moralidade distorcida, gerou algo muito pior que os malfeitos financeiros expostos pela Lava a Jato. Uma onda de intolerância e violência retórica que está alimentando uma ideologia totalitária. Embora muitos se escondam no anonimato, diversos já utilizam os próprios nomes, e o que escrevem é assustador. Em alguns momentos ao ler os comentários tenho a impressão que são nazistas referindo-se aos judeus. Embora a impressão em geral seja a de que ainda estejamos na guerra fria. Sentem-se ameaçados por outros, baseando-se em estereótipos, e possuem tal pavor de um perigo vermelho que falta pouco para publicamente elevarem alguém a füher.  


P.S.: Um dos líderes da minoria bem nascida, por seus seguidores considerando um gigante intelectual, foi capaz de dizer que são fatos:


Olavo Bogus de Carvalho aceita e divulga algo que deveria saber ser mentiroso, afinal é considerado um profeta por seus acólitos (olavetes). A mentirosa inversão dos percentuais, tendo em vista que 82% dos brancos assassinados o foram por outros brancos e 15% por negros, conforme estatística do FBI abaixo, é uma forma para justificar a violência policial. O Estado unicamente como agente repressor é parte essencial do discurso dele e de seus iguais, para garantir os privilégios de quem controla a força. Tanto nos EUA quanto no Brasil. 





domingo, 10 de julho de 2016

O trabalho liberta

Na semana passada descobrimos que o Século XIX ainda não acabou. A plutocracia brasileira reunida com o vice-presidente em exercício da presidência da república, Michel Temer, planeja o retorno ao início da segunda revolução industrial. Pelo menos no que diz respeito aos trabalhadores.

Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria, emula a FIESP pré era Vargas. Quando os grandes empresários paulistas eram contra a regulamentação da jornada de trabalho e das férias anuais remuneradas, dizendo, dentre outras aberrações escravagistas, que o período de descanso serviria apenas para a gentalha dar vazão aos seus mais baixos instintos. Para eles o trabalhador deveria estar constantemente exercendo o seu ofício, caso contrário retornaria à condição primitiva inerente às classes inferiores, assim por eles consideradas.

O Brasil da conjuração empresarial-evangélica é uma distopia que se materializa. O clamor da classe média midiotizada, pelo fim da quimérica corrupção nascida com o PT, entregou os destinos do país a um grupo que sequer pode ser considerado retrógrado. Afinal nunca caminharam para frente. Permaneceram presos aos tempos de antanho. Culturalmente subordinada à interpretação bíblica dos mercadores da fé. Economicamente dependente dos desígnios dos barões ladrões. A fala do presidente da Confederação Nacional da Indústria e o que diz gente como Silas Malafaia estão no mesmo estrato arqueológico.

Os discursos bíblicos da obediência sejam aos pastores, patrões e autoridades, é utilizado para encabrestar os evangélicos. Produzindo frutos podres como o deputado Eduardo Cunha. Ao mesmo tempo em que auxilia outros políticos defensores dos interesses econômicos dos empresários. Embora nem todos falem em nome de Deus, o resultado final é o mesmo. Unem-se na luta contra os seus próprios direitos a turma da Bíblia e a da Globo News. Alguns movidos pela lavagem cerebral nos templos, outros pelo que emana dos monitores.

O comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes ao solo tornar-se-á realidade no Brasil. As alterações propostas na legislação trabalhista e previdenciária fará com que o trabalho liberte. Libertará o empregado da qualidade mínima de vida e da aposentadoria.



O trabalho liberta

Na semana passada descobrimos que o Século XIX ainda não acabou. A plutocracia brasileira reunida com o vice-presidente em exercício da presidência da república, Michel Temer, planeja o retorno ao início da segunda revolução industrial. Pelo menos no que diz respeito aos trabalhadores.

Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria, emula a FIESP pré era Vargas. Quando os grandes empresários paulistas eram contra a regulamentação da jornada de trabalho e das férias anuais remuneradas, dizendo, dentre outras aberrações escravagistas, que o período de descanso serviria apenas para a gentalha dar vazão aos seus mais baixos instintos. Para eles o trabalhador deveria estar constantemente exercendo o seu ofício, caso contrário retornaria à condição primitiva inerente às classes inferiores, assim por eles consideradas.

O Brasil da conjuração empresarial-evangélica é uma distopia que se materializa. O clamor da classe média midiotizada pelo fim da quimérica corrupção nascida com o PT, entregou os destinos do país a um grupo que sequer pode ser considerado retrógrado. Afinal nunca caminharam para a frente. Permaneceram presos aos tempos de antanho. Culturalmente subordinada à interpretação bíblica dos mercadores da fé. Economicamente dependente dos desígnios dos barões ladrões. A fala do presidente da Confederação Nacional da Indústria e o que diz gente como Silas Malafaia estão no mesmo estrato arqueológico.

O discurso bíblico da obediência, seja aos pastores, patrões e autoridades, é utilizado para encabrestar os evangélicos. Produzindo frutos podres como o deputado Eduardo Cunha. Ao mesmo tempo em que auxilia outros políticos defensores dos interesses econômicos dos empresários. Embora nem todos falem em nome de Deus, o resultado final é o mesmo. Unem-se na luta contra os seus próprios direitos a turma da Bíblia e a da Globo News. Alguns movidos pela lavagem cerebral nos templos, outros pelo que emana dos monitores.

O comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes ao solo tornar-se-á realidade no Brasil. As alterações propostas na legislação trabalhista e previdenciária fará com que o trabalho liberte. Libertará o empregado da qualidade mínima de vida e da aposentadoria.


domingo, 3 de julho de 2016

Ruína

Os formadores de opinião da direita brasileira, do conservadorismo, do liberalismo, seja lá do que for é um balaio de gatos. Uma batalha de egos inflados, provavelmente pela combinação de metano e sulfeto de hidrogênio. Todos querem os despojos do petismo e afirmam a responsabilidade pela sua derrocada.

Olavo de Carvalho, Jair Bolsonaro, Reinaldo Azevedo, Silas Malafaia, Rodrigo Constantino, a molecada dos ditos movimentos de rua e pastores que fazem chapinha não diferem do Alexandre Frota e da Sara Winter. Alguns desejam aparecer e os demais uma participação com quem suceder.

A verdade que surge após estes dois anos de crise política é na realidade uma: o sistema político-partidário brasileiro e corrupto e está podre. Sem a sua total destruição não existe solução. Não importa o que dizem os citados ou os participantes da aliança interina. Não interessa o discurso boçal nato do Jair, o macarthismo do Carvalho e dos olavetes ou as palavras vazias dos demais. Nada disto alterará a realidade brasileira. Aliás, a tendência será o aprofundamento dos males nacionais.

O "estado a que chegamos", com o PT, não acabará com o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff. Retornaremos com ele à era anterior. Quem a viveu sabe como foi. É preciso avançar. O retrocesso perpetuará e aprofundará as mazelas conhecidas pelos que possuem quarenta anos ou mais. A não ser pelos cidadãos brancos, proprietários e da meia idade para cima, a maioria daqueles que foram às ruas nos últimos meses. Elementos que se beneficiavam no passado com as assimetrias da sociedade.

Acreditar que existe solução fora do embate político é lavar as mãos para a tirania. Não importa que sejam pessoas com aparência impoluta e honesta, pois todos são movidos por impulsos que no fim são políticos. O Brasil necessita além de eleições gerais, sem o dinheiro das empresas e com espaço igual livre na mídia, da convocação de uma nova Constituinte. O Estado criado pela Constituição de 1988 está morto. Confiar cegamente em quem veste toga ou recorrer à farda é abdicar da cidadania. Não existem reis filósofos que possam substituir a vontade do povo. 

sábado, 25 de junho de 2016

Saída pela direita?

Os britânicos, ingleses principalmente, decidiram abandonar a União Europeia e o choro é livre. As mais amargas lágrimas são dos seguidores do deus mercado e da esquerda pós-bolchevique. Como borram a maquiagem! Os primeiros por temor de restrições ao livre e destrutivo trânsito de capital, os seguintes por não terem uma proposta decente para esta realidade. Os dois grupos apontam dedos acusadores à direita e ao nacionalismo, como se o projeto europeu fosse um avanço nas relações humanas. Coisa que jamais foi!
O apoio de grupos e partidos que mantêm na sua ideologia o nacionalismo século XIX é facilmente explicado. A perda de poder decisório dos Estados para os burocratas da União Europeia está no topo. A Grécia ilustra muito bem esta situação. As ameaças contra o governo inicial do Syriza foi equivalente a füeher Merkel estacionar divisões panzers na fronteira grega, no entanto qual foi a reação internacional? A demonização do governo nacional como terrorista que pretendia destruir o sonho europeu. O resultado da rendição grega foi o socorro europeu aos bancos alemães em detrimento do povo grego. Os banqueiros e seus acionistas ficaram satisfeitos com a ação do Einsatzgruppen midiático em apoio às medidas coercitivas impostas, e logo tornadas realidade pela burocracia central europeia. Os adeptos do mercadismo acenderam várias velas em reconhecimento aos apóstolos Wolfgang Schäuble e Mario Draghi. Agora temem o enfraquecimento deste poder despótico e cruel à disposição dos seus interesses.
Algo semelhante ocorre com as esquerdas. Contam com os comissários e tribunais europeus para imporem sua visão de mundo à totalidade das nações da comunidade. O que já ocorreu com a Irlanda e agora com a Polônia. Aspectos culturais e sociais locais são criminalizados, e todos os habitantes forçados a aceitarem determinações emanadas de remotos gabinetes situados no exterior. Temem disputar no voto questões que provocam resistência de boa parte dos eleitores nacionais.
Não foi uma saída pela direita, foi a voz dos que se sentiram excluídos das decisões que impactam suas vidas. O globalismo econômico conta com os acordos setoriais e transnacionais para permanecerem acima do bem e do mal. A nova esquerda precisa reformular o discurso, talvez umas aulas com o KKE ajudem. As críticas negativas ao Brexit, por ter sido a escolha da maioria do eleitorado, são provenientes dos grupos que necessitam da distância entre a vontade popular e as decisões dos burocratas.

domingo, 22 de maio de 2016

Quem pagará o custo da vitória dos derrotados?

Notei que nos últimos dias, após o afastamento da presidente Dilma Rousseff, um equilíbrio maior na quantidade de opiniões sobre o processo de impedimento. O volume das contrárias não aumentou, porém as favoráveis sofreram uma queda. Talvez tenha sido o susto com a face dos golpistas. Qualquer um com o intelecto não totalmente lesado ou que não seja um defensor dos próprios privilégios, por mais antipetista que seja, viu o horror que o aguarda. Uma aliança que representa a retaguarda do atraso impondo-se sobre o povo.

Embora durante os mandatos dos presidentes Lula e Dilma nada tenha sido feito contra a elite que detém o controle econômico e político do país, inclusive com muitos setores dela se beneficiando como nunca antes, pequenas mudanças estavam ocorrendo na infraestrutura da sociedade. Estas no longo prazo provocariam mudanças na superestrutura que iniciariam o processo de substituição dos atores que ocupam o estamento colonial ainda vigente e que determina os rumos do Brasil.

Há muito tempo o Brasil necessita de várias reformas, porém elas serão legítimas apenas se aceitas pela população através do voto majoritário. Essas mudanças que impactarão a todos devem ser realizadas de forma democrática, e é preciso antes de tudo que os agentes políticos representativos também tenham legitimidade. Para que isto ocorra é preciso iniciar pela reforma do atual sistema partidário-eleitoral. Originário da Constituição de 1988, que além deste gerou outros males, o executivo de coalizão e um balcão diário de negócios. O governante consegue levar adiante os seus projetos caso satisfaça os interesses imediatos dos demais envolvidos, geralmente do legislativo, que agem mediante o toma lá da cá. A distribuição de feudos aos partidos coligados, de onde extrairão os recursos para a sua perpetuação, é a regra no país. Do governo federal aos municipais. O vício de origem foi imputado a ocupante, como se ela fosse a responsável pelos erros presentes nos últimos trinta anos. Estratégia utilizada por aqueles incapazes de retornarem ao governo através do voto popular.

O governo interino sustenta-se sobre uma conjuração cuja face mais visível são as famílias detentoras dos meios de comunicação ameaçados pelas novas tecnologias. Reúne também grupos que sobrevivem apenas no meio deletério do atual sistema político, setores empresariais e sindicais que necessitam de relações arcaicas na sociedade e camadas sociais minoritárias movidas pelo preconceito e medo de perderem o status atual.

O golpista Michel Temer abraçou sem ressalvas os projetos derrotados nas últimas quatro eleições presidenciais, e com ele o congelamento das relações econômicas e sociais vigentes. Implementa o que foi rejeitado pela população nas últimas duas décadas. Em duas semanas ficou claro que planeja lançar sobre os trabalhadores e aposentados o custo do ajuste para cobrir o rombo causado por dois anos de sabotagens para a derrubada do governo eleito. Junto com ele o fim de direitos legalmente assegurados e o abandono de novos, que equalizariam as disparidades existentes entre as oportunidades apresentadas aos membros das diferentes classes sociais. 

O golpe, que ainda necessita do aval do Senado Federal para a sua consumação, demonstra que visa muito além de Dilma e do PT. O seu principal objetivo é a manutenção das relações hoje existentes entre os vários agentes da sociedade. Para que o sistema de castas vigente, desde a era da escravidão, seja mantido indefinidamente sem alterações. O custo será a permanência da atual estratificação social, com as camadas inferiores permanentemente alijadas das decisões que impactam suas vidas.

domingo, 24 de abril de 2016

Dilma e o bode

Antes da posse para o segundo mandato o golpe já estava em andamento. Os grupos organizados, financiados pelos irmãos Koch e assemelhados, os aparelhos dentro do poder público, a oposição partidária sem votos e os grupos midiáticos, todos sem exceção agindo para o império, mesmo que alguns inconscientemente. A combinação entre os vazamentos dos inquéritos e processos direcionados contra o PT, a manipulação destas informações pela imprensa e o ativismo nas redes sociais foi a estratégia para a demonização da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula. O objetivo era a queda sob aplausos do governo. O sucessor para se afastar do caos anterior cairia no colo da America, abandonando todo o processo de inserção do Brasil no mundo multipolar. Retornando ao quintal dos EUA.
Dilma Rousseff neste processo foi transformada no bode na sala. Tornou-se a causa maior de todos os problemas que afligem o país. A recessão moderada que víamos no horizonte ao final de 2014 tornou-se uma depressão. A principal causa da queda brutal da atividade foi a crise política e o desmonte de setores inteiros da economia, devido à abordagem punitiva contra empresas nacionais pelos membros do ministério público e do poder judiciário. Obras foram paralisadas e novos investimentos suspensos. Em meio à insegurança veio a deterioração generalizada e surgiu a crise fiscal, não existem gastos a serem cortados para contrabalançar a queda da arrecadação tributária. A não ser que o governo que se proponha ao ajuste o faça sob Estado de Sítio.
Nesse panorama a ambição do vice-presidente Michel Temer o levou a encabeçar publicamente o golpe. Acreditando que seria visto como o salvador da república. Assumiria a presidência como a grande esperança da parcela branca e economicamente favorecida da população. Com o restante estupefato ou preocupado apenas com a sua sobrevivência imediata. Combinou os seus passos com os agentes golpistas, deixou de lado o povo. Descobriu então, após a exposição pública das vísceras golpistas, que ele também é o bode na sala, aliás, como todo o resto do sistema político criado pela constituição da nova república. A solução que ele acreditava ser é mais um problema, o maior de todos.
A prática brasileira de superar as crises através de acordos na elite, mantendo o persistente estamento colonial no poder, não é mais possível no momento, apenas com conchavos de gabinetes. A vontade dos seus barões não transformará merda em ouro, nem mesmo em barro. O golpe planejado para se efetivar com um verniz legal, seja através da participação ativa ou do acovardamento das instituições estatais, além de rachar politicamente o Brasil o levou a uma encruzilhada. A sua consumação será um governo impopular e ilegítimo, que para se manter no poder será obrigado a utilizar a repressão, enterrando qualquer pretensão democrática, ou a incógnita de novas eleições. Para que a maioria do povo não continue a sentir o bodum elas devem ser amplas e gerais. No atual quadro a legitimidade popular mínima do governo será obtida somente se eleito diretamente, e com um renovado Congresso Nacional.



sexta-feira, 22 de abril de 2016

Rede Gloebbels cita Göebbels

O Brasil de 2016 é o atraso. Desde a medieval justiça curitibana até a mídia goebbeliana. A rima neste caso é muito pobre, horrorosa mesmo e os seus efeitos deletérios. Em editorial o jornal da família Marinho ataca Dilma Rousseff por se defender na ONU do golpe. Para eles a presidente deve ficar quieta e permitir o sucesso dos que a estão derrubando. Lendo o texto escrito a mando dos patrões fico imaginando quem foi o editorialista. A frase "a presidente continua colocando o diabo à solta" bateu todos os recordes de imbecilidade. Os demônios foram soltos pelos líderes do golpe, começando pelos três irmãos proprietários das Organizações Globo. Se Satã tem um lado nesta disputa é o do protótipo e o do paradigma do sistema político podre e corrupto que dana o país: Michel Temer e Eduardo Cunha. Além da conjuração de gente estragada que destrói a nação para dar o poder a eles.
A cultura popular massificada e os golpistas estão em sintonia. Os que negam que é um assalto ao poder central o que estão fazendo, contam com uma multidão de servidores. Para eles que subprodutos desinformativos, como o editorial dos Marinhos, são produzidos. O exército amarelo CBF que marcha pelas ruas são os simpáticos serviçais dos vilões, os minions da vida real. O Brasil necessita de uma reforma política profunda e não dar aos arquitetos do caos o poder. Esta coisa óbvia não é vista pelos que estão intoxicados pelas drogas ministradas pelos meios de comunicações. Seja pelos tradicionais, totalmente em defesa dos próprios interesses, seja pelos algoritmos das redes sociais que mantêm os seus usuários em bolhas. Verdadeiros leprosários virtuais, comunidades estanques onde apenas os semelhantes se encontram. 
O manual de redação do jornal O Globo deveria impedir a frase uma mentira dita mil vezes vira verdade em suas publicações, pois é isto que a empresa da família Marinho faz desde a sua criação. Tirando as platitudes para tudo que sobrar é fácil encontrar o lado certo, se as Organizações Globo são a favor sou contra e vice-versa. Antes que me esqueça: até quando, ó Cunha, irás abusar da nossa paciência?

terça-feira, 12 de abril de 2016

Capitães de abril

Por quase cinquenta anos a nação foi aviltada e a miséria expulsava os seus filhos, forçados a emigrarem em busca de melhores condições de vida. O salazarismo era um governo da e para a elite, o povo um detalhe incômodo. Portugal era o terceiro mundo na Europa. Um movimento liderado por oficiais do exército livrou o país dessa ditadura que o impedia de ingressar no século XX. O maior nome do levante foi o capitão de cavalaria Fernando José Salgueiro Maia. Acima de tudo um idealista. Nunca ocupou e muito menos exigiu um cargo político. Após a vitória continuou se dedicando a carreira militar e morreu aos 47 anos, como tenente-coronel. Foi o rosto visível da Revolução dos Cravos. Os jovens militares derrubaram uma tirania e junto o anacrônico e homicida império colonial lusitano no dia 25 de abril de 1974. Foram os capitães de abril que resgataram a democracia e a cidadania portuguesa. O grande beneficiado foi o povo.

Quarenta e dois anos depois, em outro abril, também num país lusófono, vemos uma mobilização que tenta se passar por democrática. Embora tenha ampla penetração nas classes favorecidas não representa a democracia. Os que desejam um país voltado para a elite manobram a massa cheirosa que se diz politizada e esclarecida, porém não consegue ir além dos próprios preconceitos. No comando desse movimento temos o que de pior foi produzido em termos humanos no Brasil. Uma casta privilegiada que sempre utilizou patrimonialmente o Estado. Sejam empresários, como os donos da Globo, filha predileta da ditadura militar brasileira, que cresceu e ocupou os espaços que domina à sombra do totalitarismo, ou políticos, como o deputado Eduardo Cunha, acusado de usar o cargo público para o enriquecimento pessoal. Neste abril, caso vitoriosa, esta mobilização destruirá a democracia e debilitará a cidadania. O grande beneficiado o nefasto Michel Temer, que ocupará a presidência valendo-se de um golpe de traição. Não o povo em sua grande maioria.

O vice-presidente Michel Temer não possui nenhuma semelhança com o capitão Salgueiro Maia, ao contrário deste deseja cargos e honrarias, mesmo rasgando as leis e vilipendiando a manifestação expressa dos eleitores. Não guarda nenhuma semelhança com os heróis do abril português. O seu movimento é o oposto do que fizeram aqueles jovens militares. Pretende um governo voltado para a elite e para o seu grupo de apoio, formado pelos maus patrões que desejam o fim das leis trabalhistas, os mais venais políticos e os donos dos meios de comunicações que pretendem nos retroceder ao século XX, limitando e dificultando o acesso à internet. Está no mesmo nível de duas figuras da nossa história. 

Michel Temer se iguala a dois personagens da história brasileira que também tomaram as mais importantes decisões das suas vidas durante o mês de abril. São eles:

Domingos Fernandes Calabar que se aliou aos invasores holandeses em 1632, precisamente no dia 20 de abril. Durante dois anos foi um dos maiores responsáveis pelo avanço das tropas inimigas. Sobre quem o mercenário inglês Cuthbert Pudsey, seu companheiro de campanha, escreveu "Nunca encontramos um homem tão adaptado a nossos propósitos, para dar aos soldados proveito, pois ele tomava um pequeno navio e aterrava-nos em território inimigo à noite, onde pilhávamos os habitantes e quanto mais dano ele podia ocasionar aos seus patrícios, maior era sua alegria."

Joaquim Silvério dos Reis foi o outro. No dia 11 de abril de 1789 escreveu uma carta delatando os inconfidentes. Foi o grande responsável pela prisão e morte de Tiradentes. 
Ambos os personagens respondem por algumas das mais vergonhosas páginas da nossa história. Foram traidores e a eles se iguala Michel Temer. Um homem que sem possuir direitos ao cargo pretende se apossar da presidência da república numa ação entre amigos, destituindo a presidente Dilma Rousseff, legítima ocupante do cargo, para o qual foi eleita pela maioria dos que votaram em outubro de 2014. Não temos capitães de abril, mas sim usurpadores traidores e golpistas. 17 de abril corre o risco de se transformar no dia infâmia.



domingo, 10 de abril de 2016

Com o impeachment da Dilma você ganha...

Michel Temer na presidência do Brasil.


A permanência de Eduardo Cunha na presidência da Câmara e promovido a vice-presidente.


O Ministério da Fazenda para José Serra.


A volta do controle do Ministério das Comunicações para os irmãos Marinho, os donos do câncer Organizações Globo.


E isso será só o começo...

Alan Wake in your sweet home talk about the future with Michel Temer president. The president evil or suffering of cold fear.

Condemned in silent hill by the amnesia the resident evil. The manhunt begins by the nightmare criatures. Five night at Freddy's won't have until dawn. Dark souls in the haunting ground. In the clock tower the city of the lost children a machine for pigs outlast the eternal darkness. The last of us only in fatal frame.